Terça-feira, 22 de Maio de 2012

HIF ou WEBER ?

Após o banco de potência e detectado o sintoma de falha com a alimentação do motor, foram perdidas enumeras horas de pesquisa e consulta, onde o amigo Luís Martelo deu a sua especial ajuda... 

Partilho aqui algumas fotos de dois dos seus Minis...


O BR, o 1000 mais venenoso lá da terra :)





e o GT...



um Mini mais virado para as maratonas, e que recentemente cumpriu a proeza de ir de Portugal até à terra dos chocolates e dos relógios, marcar presença no International MINI Meeting 2011 - Suiça, juntamente com outros amigos dos quais já aqui falei neste blog.

Podem também partilhar as suas aventuras em:

http://papaestradas.blogspot.pt/

Voltando à acção...

A duvida persistia assim em saber ser o carburador era suficiente para este setup de motor, ou se estava algo apenas errado.

Comecei então por eliminar duvidas por partes. 

Foi assim montada uma linha de combustível de 8mm directo pelo interior do carro, que aparentemente tinha resolvido o sintoma numa primeira saída à rua, porem numa outra saída o carro voltou a ter o mesmo sintoma.

Não era da linha de combustível, parti então para algo mais profundo.

Através da consulta de alguns filmes no youtube, nomeadamente:


Acabei por desmontar o carburador e afinar a bóia, para fechar o mais tarde possível e ter a certeza que não era a cuba que vazava mais depressa do que o carburador debitava.

Com o carburador fora tinha uma boa oportunidade para limar algumas arestas que ainda não tinham sido tratadas...

Falo nomeadamente no centrador da cuba do carburador que em full lift acaba por criar um minúsculo, mas precioso obstáculo à passagem do ar...



Também para a situação de acelerador a fundo, existe outra modificação comum que se trata de cortar rente os parafusos que seguram a borboleta ao veio.



Para exemplo aqui só um ainda cortado ( devem ser posteriormente colados com cola de parafusos para evitar problemas mais tarde).

Para os mais extremistas, existe ainda a possibilidade de "emagrecer" o veio, para uma espessura menor (opção não tomada para já)...

Truques e melhorias à parte voltemos ao que interessa....

Carburador aberto e pouco mais havia que um excelente aspecto com tudo impecável...



Escavando mais fundo... O pequeno filtro na válvula de entrada apresentava alguma sujidade...





Depois da consulta de todos os diâmetros possíveis para esta peça, decidi abrir a minha para o diâmetro mais largo possível ou seja 2,5mm. 

O método utilizado foi o mais tradicional possível - método da broca...



Fica assim visível a olho nú a diferença de uma peça original para a alterada.




Depois de tubo limpo voltou a ser montado... 


Na próxima saída à rua, onde como poucas vezes acontece aqui para os meus lados... através de meia dúzia de telefonemas viémos a reunir uns quantos amigos dos MINIS e fomos dar um  bafo pela noite dentro, terminando numa terra aqui perto onde se comemoravam as Festas do Moinho da Mourisca...


Resultado, petisco do bom e boa galhofa...




Porem e depois de uma boa noite passada com os amigos Ricardo Cardoso, João Leonardo  e Rui Abreu... vim a constactar que os resultados de todas as modificações foram nulos, na solução do problema principal.


O sintoma persistia... 


Depois de muita insistência da minha parte em continuar com a alimentação garantida por um único carburador SU HIF44, não via outra alternativa senão testar outros carburadores... e todos os amigos "venenosos" recomendavam soluções de carburadores duplos, nomeadamente SU  2x38mm ou mesmo Weber ou Dellorto... 

Outro ilustre amigo o Luis Fernandes, possuidor doutro bonito e muito venenoso MINI 1000...


do qual partilho alguns registos...





tinha lá por casa um Weber 40 pronto a montar que teria sido desmontado de um Mini...


Não era tarde nem era cedo. O colector (swan neck) que o carburador tinha nem implicava alterações na carroceria e como tal, pus mãos à obra. 


Tira o SU e monta o Weber... 





São milímetros que distam do corpo do carburador à carroceria e nem estava a usar cornetas... Era admissão totalmente directa.

Com muito pouca afinação (até porque pouco sei destes carburadores) o carburador lá fez o seu trabalho, mantendo o carro com o ralenti estável e como tal vamos para a rua testar...

Fica um registo...


A deficiente afinação do Weber sujava imenso as velas mas em alta rotação o motor não se calava como com o anterior SU... Estaria aqui a solução?

Apesar do motor evoluir pelas rotações acima com muito vigor não parecia existir a mesma sensação de "coice" que o SU dava... mas não fiz qualquer medição para o confirmar...

Após mais algumas leituras era impossível optar por um Weber 40 e a eventual troca seria por um 45. Ainda comecei por fazer pesquisas de colectores... mas o melhor era voltar a montar o SU e rolar assim até ter outra alternativa.

Eis que se deu o "click"... então e se no Weber eu não estava a usar filtros porque é que não testo o HIF44 da mesma forma???

Mãos à obra... 

E tudo voltou ao inicial... Porem sem o filtro de ar da Pipercross.

As conclusões forem óbvias...

Fica assim alguns registos de um mini com um HIF44 a fazer muitas rotações sem qualquer problema.


Alem do ganho efectivo de poder passar livremente acima das 6500 rpm pude também tirar partido da entrada de mais ar que corrigi posteriormente com mais gasolina, sentindo assim que o motor respira de outra forma...

A conclusão que cheguei é que o problema não era do filtro em si mas da posição como este estava montado, e que estava a tapar a entrada e saída de ar dos respiros da cuba, asfixiando este circuito e daí a cuba cair repentinamente, em alta rotação cortando a entrada de gasolina e fazendo o motor calar-se.



O mistério estava assim resolvido...

Era hora de pensar na alternativa... ou tiro o filtro ou utilizo outro ou arranjo forma deste não tapar o que não deve.

Espero que tenham gostado.

Até breve...

Quarta-feira, 21 de Março de 2012

BANCO DE POTÊNCIA

Mais uma história, mais uma aventura.


Ora, com as faiscas controladas e agora com o local para montar a sonda de escape pronto, era hora de por tudo à prova.


Pelas mãos dos amigos Diogo Trindade e Mario Abreu co-owners da Godspeed Engineering, foi agendada uma intervenção, para afinação da curva de ignição e mistura do motor, aproveitando para se medirem valores obtidos com a nova mecânica.


Utilizámos assim o banco de potência das instalações da PKE - Performance Key Engineering. 


Após a montagem da sonda wide band, o carro foi então fixo devidamente e feito um aquecimento prévio...


Verificados os parâmetros de temperaturas, pressão de óleo etc, começaram os ensaios...






Fica um dos registos...





Aparentemente o grafico de binario e potencia sobem muito bem, mas perto das 6200rpms o motor cala-se...


E aqui temos o primeiro gráfico...




O sintoma de falha súbita do motor apontava para uma falta de alimentação de gasolina correcta, porem o  estranho é que a sonda nunca marcava "pobre"... pelo contrario, o que baralhava o raciocínio.


Foi repetido por mais algumas vezes o mesmo teste e o sintoma persistiu.


Algumas trocas de impressões...



E mais um teste...


Tentou-se com mais ou menos pressão de gasolina, mais ou menos mistura, mas nada mudava, perto das 6200 rpms o motor simplesmente calava-se...




E mais um registo...


 


Decidiu-se assim abandonar o banco e tentar descobrir de onde esta falha provinha..


Ficam assim as duas melhores curvas...



Os valores são muito simpáticos para quem espera um pico de potencia perto das 7000 rpms...

88,4 bhp - 6265 rpms
105,3 Nm - 5110 rpms

Ainda não foi desta que passámos os "três digitos"

Fica uma nota para quem nunca passou por esta experiência.

É daquelas sensações... Ver o dos outros é muito giro, mas ver o nosso carro ali a ser "esfregado" custa :)

Deixo também os contactos dos amigos Gospeed Engineering:


Godspeedster Engineering Lda

Estrada Nacional 8, Nucleo Empresarial da Freixiera, Pav. F 2670-747 Lousa

 www.godspeedster.pt | tel. 21 9662426 |
 e-mail: godspeed.eng@gmail.com

ou ainda 


e da PKE


www.pke.pt



Era tempo de voltar a casa e tentar descobrir a solução ...

Até breve...

Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

MEGAJOLT - AS FAISCAS PROGRAMAVEIS

Pessoal já não dava noticias à algum tempo mas cá estou de volta para dar noticias.

Já algum tempo que as "faiscas" me andavam a atormentar os neurónios e a busca por uma solução mais adaptada ao novo motor, como Distribuidores Aldon costumizados ou mesmo os agora mais modernos 123, pareciam sempre cair em preços menos convidativos e assim sendo a solução mais adaptável de todas começava a fazer cada vez mais sentido...

Lá ponderei os possíveis prós e contras e num impulso lá perdi a cabeça e mandei vir um kit de distribuição programável da TRIGGER WHEELS composto por:

Centralina Programável - MEGAJOLT

Modulo EDIS4 

Bobine

Suporte da bobine



Cabos de vela de silicone, específicos para a nova bobine.

Roda dentada - Polie e respectivo parafuso mais comprido.

Sensor de ponto e respectivo cabo blindado



e ainda uma Tampa do buraco do distribuidor da DNS CLASSICS
  
Com todo o material em casa era hora de começar a soldar pinos, cravar fichas...




  
Alguma pesquisa de Internet, sites e fóruns... e tudo se foi compondo...










Aqui o primeiro ensaio do "esparguete".


O trabalho de casa está feio, vamos para a "obra"... 


Nova tampa do distribuidor para o sitio...


A roda dentada, o sensor de ponto e o respectivo suporte...


e o modulo Edis4 que ficou discretamente arrumado...
Aproveitei para trocar o apoio lateral do motor, pois tinha um dos pernos com a rosca moída.


Este kit vendido pela MINISPARES permite em quase todo o tipo de situações, resolver o problema no local, poupando enumeras horas e grandes dores de cabeça.

Aproveitando a nova localização do suporte lateral foi fixado o novo suporte da bobine. 



Depois de tudo montado era hora de testar. 


A forma mais fácil de detectar erros básicos é ligar apenas o setup mais básico - Limp home Mode.


Nesta fase ainda sem o sensor de posição do acelerador (TPS) e só com o modulo edis4  a fazer de distribuidor (com avanço estático de 10º), o motor deverá pegar facilmente.


É necessário que o sensor fique muito bem centrado com a polie e com o afastamento correcto, cerca de 0,5 a 1mm (ou seja quase a decepar o sensor...)


Fica o registo da primeira vez.





De seguida saí com o carro à rua e até parece rolar confortável, mesmo com 10º de avanço... 

A próxima dor de cabeça era o o sensor do acelerador - TPS.



Aqui a foto do sensor acabadinho de chegar, que por lapso não tinha vindo junto com o kit e que acabou por atrasar tudo mais uns dias...


Para variar nada é para chegar e montar, e como tal, lá tive de perder mais umas horas de pesquisa, telefonemas e consultas de fóruns para imaginar como iria fixar o sensor.


Mais uma vez recorri ao torneiro de serviço, para com a ajuda do amigo Fernando da FVC - Rectificações, inventar uma peça para adaptar o sensor ao veio do carburador HIF44.


Fica o contacto: 


FVC-Rectificação Unipessoal Lda

São Sebastião

Estrada Vale Mulatas Lote 8-armz C,
Setúbal 2910-737 SETÚBAL
Tel: 265 552 435 


Com um veio de outro HIF doador de peças... pude fazer tudo sem desmontar nada do motor...
Foi assim feita uma extensão do veio original com uma "meia cana" maquinada para entrar no sensor.

Aqui já montado assim como a chapa que irá fixar o sensor.

e aqui o resultado final...

No cofre do motor está tudo resolvido, aproveitei assim para soldar uma porca para a futura instalação da sonda da mistura no escape.


Mais uma vez lá esteve o amigo Fernando ao "lume".

Levou posteriormente uma porca com anilha de cobre, para evitar soldaduras por fenómeno químico.


No interior a Megajolt ficou assim instalada sob o tablier que se mantém assim simplista e apenas com os instrumentos que se acham indispensáveis... e agora numa localização mais central permitindo a sua leitura com as mãos no volante.



Á frente e depois de arrumado... tudo volta a parecer mais normal.


O cd que vinha com todas as instruções de montagem do Kit trazia algumas curvas para muitos motores e especificações mais diversas, mas na maioria dos casos para curvas MAP ( sensor de vácuo do colector de admissão).


Para obter uma curva TPS para poder partir daí para onde quer que fosse lá tive de escavar de novo, e no site da MLMotorsport lá fui encontrar a minha curva inicial. 
Era para um carro com uma especificação de motor muito similar á minha apenas usava weber 45.


Fica o link : http://www.mlmotorsport.com/

Está na hora de carregar o dito mapa e ir para a rua testar tudo de novo...



Parece que o motor responde muito certo, pega fácil...

Parece que foi mais um passo à frente.

Mais noticias para breve...